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Justiça afasta policiais militares após confusão no Carnaval e denúncias de homofobia

 

A Justiça da Bahia determinou o afastamento cautelar de quatro policiais militares envolvidos em uma confusão registrada no sábado (14), no circuito Dodô (Barra-Ondina), durante o Carnaval de Salvador. O caso ocorreu nas imediações do Morro do Gato e envolve denúncias de agressão e homofobia.


Segundo o professor João Vitor Dias da Cruz, de 27 anos, ele estava com o esposo, que é soldado da Polícia Militar, além de um casal de amigos, quando a situação começou por volta das 23h40. De acordo com o relato, o policial tentava defender um colega, também PM, que teria sido alvo de ofensas homofóbicas, quando uma guarnição se aproximou do grupo.


João Vitor afirma que a abordagem foi violenta. “Eles chegaram com muita agressividade e deram quatro golpes de cassetete: um nas minhas costas, dois no tórax e um no peito. Avisamos que meu esposo e o amigo dele eram policiais militares e, mesmo assim, outro policial deu dois golpes na cabeça do meu colega”, contou. O policial atingido na cabeça foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por cirurgia e permanece internado.


O professor relata ainda que ele e o marido foram conduzidos por duas guarnições até um módulo policial sob ameaças. “Fui imobilizado com o braço torcido, mesmo sem oferecer resistência. Quando reclamei de dor, um aluno-oficial mandou eu calar a boca, me chamou de ‘viado da desgraça’ e disse que eu ainda não tinha visto o que era violência”, afirmou.


Já no módulo policial, uma nova confusão teria sido registrada. Segundo João Vitor, alguns alunos-oficiais levaram o casal para a sala de refeições dos policiais. “Meu esposo foi agredido e enforcado. Quando peguei o celular para gravar, fui empurrado para fora da sala”, disse.


Durante o tumulto, um capitão da PM deu voz de prisão ao aluno-oficial companheiro de João Vitor por indisciplina. O soldado passou por audiência de custódia na terça-feira (17) e foi liberado mediante medidas cautelares.


Na decisão, o juiz destacou a gravidade das acusações de agressão e homofobia. O magistrado pontuou que, conforme relato em audiência, tanto o policial quanto o companheiro teriam sido agredidos e chamados de “viado” mesmo após a identificação formal e a cessação de qualquer resistência, o que pode configurar, em tese, o crime de injúria racial por homofobia.


Além do afastamento cautelar dos quatro policiais inicialmente identificados, a decisão também determina que outros integrantes das duas patrulhas envolvidas e quaisquer agentes que venham a ser identificados no decorrer das investigações sejam igualmente afastados.


O juiz ainda determinou a instauração de Inquérito Policial Militar pela Corregedoria, com prazo improrrogável de 60 dias para conclusão.


Em nota, a Polícia Civil informou que a 7ª Delegacia Territorial (DT/Rio Vermelho) investiga o caso. Segundo o órgão, oitivas e diligências estão em andamento para esclarecer as circunstâncias da ocorrência e identificar todos os envolvidos.


Fonte Site Alô Juca 

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